
A moça do mar, amar
A moça sentia-se fora de si mesma. Passava por momentos sem graça, de arrependimentos e repreensões. Faltava-lhe sintonia para compor-se. Quem sabe uns acordes para acordá-la de um sono fantástico e extremamente ilusório, trazendo-lhe de volta o som da vida verdadeira. A música, um combustível harmonioso, a colocá-la de pé. A vida, sua única amiga fiel e traiçoeira. Com ela, somente com ela, choraria suas mágoas e cantaria suas vitórias. A vida, senhora de si, traria consigo a canção que abrandaria as dores da moça, tão moça.
Sim, precisava de uma canção, assim como um bebê que cala seu choro ao ouvir uma voz doce a niná-lo. Nada de arranjos barulhentos e guitarras rangendo. Não, a moça queria uma música que serpenteasse pelo seu corpo, navegasse até a sua alma e, suavemente, bailasse o seu espírito. Onde estaria seu espírito brincalhão e descontraído? Padecia com o desleixo da moça. Seu corpo adoecera. E o espírito a vagar desorientado...
Haveria tempo de rever o que havia se dissipado e acompanhar os passos de sua vida? Precisava compensar o espírito e repor a coloração de sua aura. Compostos e sintonizados se entenderiam. Juntos comporiam, novamente, a vida da moça, perdida de si mesma. E uma orquestra tocaria só pra ela: violino, piano, saxofone, flauta... Sem vozes.
A moça e o seu olhar silencioso na música ritmada de encantos.
E que o som chegasse bem longe, onde o pensamento está e o sentimento dorme. Sentiria a vibração das cordas e deixaria para trás o tom desafinado que entristecia o seu viver.
A moça foi atrás do que buscava na inspiração de seu pensar. E chegou até o mar. Acharia, ali, o que procurava e chegaria à sua essência. Ele é tão grande, envolvente e misterioso. Há mistérios contidos tanto quanto há na sua vida. Ela não desvendaria todos nem se descobria totalmente. Haveria sempre um manto obscuro a aquecê-la de dúvidas. Ela sabia disso. Nada é certo na vida da moça nem de ninguém.
Atravessou a avenida ao som da vida que passava em velocidade. O vento agitava seu vestido de um lado para o outro. Tirou os saltos e deixou suas pegadas na areia seca e quente. Não se incomodou com nada. Queria a vida e a música a tocar para o seu espírito. Tudo de volta ou parte de um todo.
Na sua frente, a esperança, a imensidão, no deslizar das ondas na cadência do pio das gaivotas: um refrão solitário no seu infinito. Sentou-se na areia.
E namorou o mar.
Encostou os cotovelos nas pernas dobradas, pôs as mãos no queixo.
E contemplou o mar.
Primeiro, foram só olhares admirados e vacilantes. Depois, vieram as palavras pensantes, comoções, cobranças e descontrole. E seguiu seu olhar atento, tentando chegar à profundeza contida nas águas.
E confessou-se ao mar, ao som da canção a tocar dentro de si.
Cada gota que se juntava ao mundão de água, compunha o baile no oceano de duas cores: ora verde ora azul. Mistura perfeita.
Seus olhos esticaram-se até o horizonte onde o mar encontrava-se com o céu: junção do claro e do escuro. Matizes da sua vida. Uma linha imaginária. Uma nuvem faceira pincelava um branco pálido tanto ao céu quanto ao mar. O vento trouxe marolinhas brincalhonas com as águas como o vento a brincar com seus cachos.
A moça, sentada na areia; o mar; a música; uma vida aplainar. O dia pleno, todo seu. Sentiu respingos da água gélida vindos do rebentar das ondas tão próximas.
E encarou o mar.
Não sentia fome nem sede nem dores. Sentia a vida voltar aos poucos, o sorriso a fazer coro com a sinfonia que o mar lhe trazia aos ouvidos.
Não tinha pressa nem preocupação. Tinha apenas o mar a espiar. Vigiava, sutilmente, cada parte se compondo. A moça inspirou, expirou e sentiu seu corpo vibrar. Sincronizada, teve a certeza de que conseguira colocar a vida de pé, mais uma vez.
Levantou-se e deixou que o vento retirasse a areia de seu corpo. De volta para vida, ao som dos passos do espírito a bailar dentro de si, retribuiu ao mar, um olhar afetuoso e agradecido.
E despediu-se do mar...

Se tinha algo que me deixava mais deprê era o fato de ter que desistir de alguma coisa. E não importavam as circunstâncias ou os motivos que me levariam a tal, eu não poderia jamais desistir, pois esta palavrinha tão assustadora era sinônimo de fracasso, fraqueza, debilidade. E isso eu não poderia admitir. Eu tinha que ir até ao fim de tudo. Entre espinhos e solavancos eu não poderia jamais dar um passo de recuo. Eu não poderia voltar atrás. Eu não poderia retroceder. Eu não poderia parar. Ainda que me custasse muitas lágrimas, e dores e sofrimentos… Não, desistir nunca! E devido algumas desistências que já enfrentei pela vida (no emprego, no amor, nas oportunidades) causou-me um “mucado” de sofrimento, que hoje, ao meu ver, foi tão desnecessário. Eu não sabia que desistir também é um caractere da vida. Há o momento de dizer “sim” e de dizer “não”. Há o momento de persistir ou desistir.
Depois de tanto tempo sem saber lidar com esse fato da vida, finalmente, eu aprendi que desistir pode ser um ato heróico até. Um ato nobre, sublime e engradecedor. Quando se analisa o mais intímo de si, e se conhece a si mesmo a ponto de saber discernir e delinear o seu interior, a sua essência, consegue-se, muito facilmente, trilhar o caminho da vida sabendo os momentos de avançar ou recuar. Mas desistir não significa apenas “recuar”. Pode significar ir muito mais longe. Pode significar escolher um outro caminho, ser livre, realizado, ser feliz. Desistir pode sim ser uma escolha, uma vez que o que está em jogo é “você”. Eu escolho ser feliz, estar bem, viver bem, com aquilo em que acredito, com as pessoas que eu amo, e desistir pode ser um caminho que me leva a isso.
Não ser influencido é a questão. Não ser induzido é a questão. Não se levar por isso ou aquilo é a questão. Há tantas maneiras de ser influenciado, seja porque a melhor amiga disse, porque a mãe sonhou, porque o pai “vai falar”, porque o namorado não entende… e vai se anulando, escolhendo aquilo que é bom para todo mundo, menos para você. Olhar para dentro faz toda a diferença. Não falo de egoísmo, altruísmo ou coisa do tipo. Eu falo do “você, do nosso “eu”, onde mora os nossos sonhos, onde grita a nossa alma.

Quanto você vale?
- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Dizem-me que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor, sem olhá-lo, disse: – Sinto muito meu jovem, mas não posso te ajudar, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois.
E fazendo uma pausa, falou: – Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa te ajudar.
- C… claro, professor – gaguejou o jovem, que se sentiu outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor. O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao garoto e disse:
- Monte no cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.
O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saíam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel. Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas. Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, livrando a preocupação e seu professor e assim podendo receber ajuda e conselhos.
Entrou na casa e disse: – Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir 2 ou 3 moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.
- Importante o que disse, meu jovem, contestou sorridente o mestre. Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vendê-lo e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.
O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou-o com uma lupa, pesou-o e disse:
- Diga ao seu professor, se ele quiser vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.
O jovem, surpreso, exclamou:
- 58 MOEDAS DE OURO???
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente…
O jovem correu emocionado para a casa do professor para contar o que ocorreu.
- Sente-se, disse o professor.
E depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse:
- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um expert. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor???
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.
Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos pelos mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.

Essência da Amizade
Uma verdadeira amizade se desenvolve a partir do afeto humano, não do dinheiro ou do poder. É claro que, graças ao nosso poder ou fortuna, mais pessoas nos abordam com grandes sorrisos e presentes. Mas, no fundo esses não são verdadeiros amigos; são amigos da nossa fortuna ou do nosso poder. Enquanto perdurar a fortuna, essas pessoas continuarão a abordar-nos com freqüência. Porém, no momento em que nossa sorte diminuir, elas já não estarão mais por perto. Com esse tipo de amigo, ninguém fará um esforço sincero para nos ajudar se precisarmos. Essa é a realidade.
A verdadeira amizade humana tem como base o afeto humano, não importa qual seja nossa posição. Portanto, quanto mais nos interessarmos pelo bem estar e pelos direitos dos outros, mais seremos um amigo autêntico. Quanto mais formos abertos e sinceros, mais benefícios acabaremos recebendo. Quem se esquece dos outros, ou não se importa com eles, acaba agindo em prejuízo próprio.
(texto de Dalai Lama no livro "O Livro da Sabedoria")
Fama alugada e ladrões de voto - Alexandre Pelegi
Chamo de “fama alugada” o fenômeno vivido por pessoas que devem grande parte de seu sucesso ao sucesso alheio. Geralmente são coadjuvantes de escândalos ou parceiros eventuais de alcova de gente famosa. Ficam conhecidos de uma hora para outra, e daí perseguem o alvo de permanecer o maior tempo possível em evidência. Você conhece várias pessoas assim, e todas elas, curiosamente, são tratadas como “celebridades”, mesmo sendo produto de fama emprestada... Há a mãe acidental do filho do roqueiro famoso; a ex-namorada do piloto falecido em grave acidente; a ex-esposa do craque fenomenal; a dançarina de traseira protuberante e frutífera...
Não bastasse essa inflação de astros no estreito céu da fama, uma categoria diferente ocupa agora espaço limitado, apesar de intenso: as vítimas da violência. Neste caso a fama é involuntária: tais pessoas querem apenas purgar sua dor, ao passo que os veículos de comunicação almejam a audiência.
Seja a fama alugada, seja a involuntária, ambas só existem graças ao voyerismo, marca registrada dos tempos atuais. Não importa se o fato é um escândalo que envolve gente famosa, ou se se trata de detalhes mórbidos de casos de intensa violência: na raiz de tudo está a curiosidade, e é ela, qual varinha mágica, que transforma anônimos em famosos.
A curiosidade por fofocas e tragédias, infelizmente, não se estende a coisas importantes, como o processo eleitoral. No Senado brasileiro, hoje, um em cada quatro senadores chegou lá sem a necessidade de um mísero voto. São os suplentes, que graças ao troca-troca de cargos e cadeiras, obtêm cargo político de brutal importância sem qualquer licença ou consentimento do eleitor.
Estes não precisam da fama: têm as benesses milionárias que o cargo faculta. Não precisam da mídia, antes a evitam. Não gostam de burburinho: no silêncio das negociatas conseguiram chegar ao centro do poder político. Ao invés da fama emprestada, se dão muito bem com o voto emprestado... No caso do eleitor, é evidente, o melhor seria dizer “voto roubado”...
Para Viver Um Grande Amor - Vinicius de Moraes
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! É de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vaidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo, mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva obscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Pra que serve uma relação
‘Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil.’
Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom e merece ser desenvolvido.
Algumas pessoas mantêm relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça.
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa; à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
(texto de Drauzio Varela)

Mundo feminino
Não é de hoje que me deparo com casais homossexuais em cenas explícitas de carinho. Talvez pelo ineditismo, o que mais presencio são gestos protagonizados por casais femininos. Uma análise simplista diria que tal exposição deve-se à forma mais liberal como a mídia tem tratado o assunto – é só reparar em como o tema tem invadido o roteiro da dramaturgia televisiva. Antes de buscar razões, entretanto, ponho a me questionar se as mulheres sempre se amaram mutuamente como hoje. Mulheres sempre foram vítimas do preconceito machista, e não lhes restaram alternativas a não ser a de esconder suas paixões ou, o que é muito pior, casar-se com homens que mal as entendiam, mergulhando numa vida frustrante e sem sentido, nem futuro.
O fato é que hoje as relações se dão mais à flor da pele. A conseqüência benéfica é de que a hipocrisia se revela sem seus disfarces tradicionais...
O dia 8 de março tornou-se, como todas as datas festivas, uma imposição comercial. Neste sábado as floriculturas estarão cheias, as perfumarias produzirão os mesmos e manjados embrulhos, e chefes machos oferecerão na véspera presentes mecânicos às mulheres subalternas. É o mesmo filme, sempre. Talvez fosse o momento de reparar na feminilidade que tem tomado conta do mundo, em lugar da maneira machista e preconceituosa que usa e abusa da exploração desavergonhada de corpos certinhos e voluptuosos. Repare, só para dar um pequeno exemplo, nas propagandas de cerveja...
Apesar disso, as mulheres vêm dando seu recado cada vez mais de forma incisiva e sincera. Cabe aos atrasados perceber que o mundo à sua volta mudou, e a verdade que sempre pregaram aos quatro ventos expirou seu prazo de validade.
Gilberto Gil cantou esta verdade, quando escreveu os versos:
“Um dia / Vivi a ilusão de que ser homem bastaria / Que o mundo masculino tudo me daria / Do que eu quisesse ter. / Que nada / Minha porção mulher, que até então se resguardara / É a porção melhor que trago em mim agora / É que me faz viver”
As coisas no mundo têm ficado mais definidas e femininas. O que, no fundo, só pode significar a mesma coisa...
A Pessoa Errada
(Luis Fernando Veríssimo)
Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa
certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo
E só assim
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...
"PROMETO..."
Prometo buscar o amor dentro do seu coração,
Prometo cultivá-lo,
Prometo lhe dar consolo quando precisar.
Prometo te amar,
Fazer dos problemas momento insignificantes.
Prometo te dar apoio,
Compreensão.
Te prometo acima de tudo a minha amizade.
Prometo estar sempre do seu lado.
Prometo encontrar seus sorrisos, e enxugar suas lágrimas.
Prometo ficar acordada Velando por teu sono.
Prometo que vou buscar todas as formas para lhe fazer feliz.
Prometo que as estrelas serão suas,
E a lua será nossa...
O mundo virtual e os reencontros
“Acho engraçado a força que as coisas parecem ter, quando ela têm que acontece”
Às vezes me pego pensando nas pessoas predestinas a passar por minha vida, e acho engraçado a forma que algumas delas se reencontram comigo. Devo dizer que sou uma pessoa de sorte, pois tenho encontrado pessoas com quem teclo pouquíssimas vezes, e que simplesmente desaparecem da mesma forma que apareceram. Mas por outro lado tenho reencontrado pessoas que me são raras de muito tempo. Pessoas que reconheço nas afinidades, logo nos primeiros encontros, pessoas que vieram pra mostrar como cada existência é especial e que estamos aqui para nos encontrarmos mais uma vez.
Nós dias atuais é cada vez mais comum às pessoas se reencontrarem de forma virtual, e é o que tem acontecido comigo
Quero que saiba como é especial, que não me importa como veio se encontrar comigo e sim o que representa na minha vida.
Na última quarta-feira, dia 05 de setembro, a Concha Acústica do TCA recebeu o projeto Loucos Por Música. Dessa vez os "loucos" foram Zélia Duncan, Simone e Mariene de Castro. As três cantoras apresentaram o melhor do seu repertório e, mesmo com a chuva, fizeram lotar o espaço. Mariene, mais uma vez, deu um banho de Cultura Popular.

O Amanhã
A cigana leu o meu destino
Eu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã
Como vai ser o meu destino
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Sempre feliz
Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser.

Sem comentário! Ela simplesmente abalou mais uma vez.
PORQUE NOS PERDEMOS, DEPOIS DE NOS ACHARMOS???
Hoje assisti um filme lindo, onde um escritor disse a seguinte frase:
'O segredo da chave do coração de uma mulher está em dar presentes inesperados em momentos também inesperados'.
Fiquei pensando nisso, e concluí como alguém pode perder um grande amor, facilmente, da mesma forma que facilmente o ganhou?
Quando se inicia uma relação, o ser humano dá o melhor de si mesmo, depois, não sei bem o porquê, ele estaciona, se acomoda e vai se esquecendo das palavras doces, dos carinhos inesperados, das surpresas gostosas...
E, deixa que a relação caia na mesmice, no lugar comum.
Aquele mesmo lugar do qual ele queria fugir, do qual estava enjoado.
Coisa complicada o ser humano!!!
Não me admira que tão poucos sejam vitoriosos no amor.
Há que se cuidar dele como se cuida de um bebê... Com carinho de mãe, com zelo de médico, com eficiência de professor, e assiduidade de bom aluno.
Exupéry é que estava certo...
'É o tempo que perdemos com alguém, que torna esse alguém importante pra nossa vida! '
Todos sonhamos com um amor paixão, com um amor sentimento e com um amor amizade.
Todos, sem exceção, mas, só os privilegiados chegam lá.
E não são privilegiados porque chegam, mas chegam porque são privilegiados... Enxergam com olhos que vêem pra dentro, além das aparências, além do visível!!! São os fortes os vencedores no amor!!!
Homens, são, como dizia alguém, seres estranhos; ouvem Chopin, recitam Tagore, encantam-se com as estrelas e depois se matam!
Como pode o ser humano, ser tão tolo?
Como pode deixar passar a chance de ser feliz no amor?
Tenho pra mim, e não é de hoje, que a vida só vale a pena ser vivida, se envolvida na vida de outra vida.
Serei eu a única pessoa neste mundo a valorizar o amor?
Serei a única a enxergar que quase sempre jogamos pelo ralo um grande amor, por preguiça de lutar por ele?
Será que só eu, apenas eu, sei ver com os olhos do coração?
Fazer a música tocar até o fim, perder-se em outro alguém, sem perder-se de si mesmo.
Coisa difícil aos comuns mortais, sempre tão ligados à matéria, aos deveres, sempre a olhar pra baixo em direção ao seu próprio umbigo... Nunca sonhar com as estrelas, nunca olhar além do arco-íris... 'over the rainbow'... é lá que se encontra o nirvana... e quantos chegam tão perto e o perdem, porque se detém em atalhos sem brilho próprio... Ou com brilho enganoso!!!
Ah! as almas humanas... Embranquecem e se deixam murchar.
Não vou aceitar viver uma vida sem sonhos.
Não vou aceitar jamais viver uma vida medíocre de mesmice e cotidianidade sem esperança.
Adoro o cotidiano, mas aquele cotidiano rico de alegrias, de sonhos, de tentativas mesmo que nelas se quebre a cara.
Pior que não sofrer, é ter um coração vazio, sem lugar pro inesperado, pra mágica das palavras, pros sentimentos densos, intensos, sem senso...
Quem quer saber de senso em se tratando de amor?
Amor com senso não tem consenso, tem pasmaceira e chatice.
Quero dizer como Gonzaguinha.. .Viver e não ter a vergonha de ser feliz... Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!!!
Aprendiz do amor!!! Esse fogo que arde sem se ver... Viva Camões!!!
Viva os ladrões de corações!!!
Mas viva mesmo os ladrões que sabem aprisionar os corações roubados em maravilhosas e sutis teias.
Guardam a pérola de maior valor e deixam o resto pra quem não ama tesouros que valham à pena.
Sabem que, nada no mundo lhes fará abandonar o que encontraram.
Sua busca chegou ao fim...
ENCONTRARAM O TESOURO TÃO PROCURADO
Viva os amantes apaixonados!!!
Esqueça o mundo.. e 'be my love'
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