"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."
Cecília Meireles
O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
E diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar
O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não se sabe pra que veio
Foi passeio
Foi Passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar
Síndrome da Paixão
Cícera Gonçalves 7 Período de Jornalismo
Uma das melhores coisas que acontecem em nossas vidas poderia ser chamada de paixão. É avassaladora, chega e toma conta do coração. Pode vir acompanhada de uma pipoca dentro do cinema apreciando aquele maravilhoso filme, baseado na história de Taj Mahal e, claro, observando mais a nova paixão do que o filme. O que se passa nesse momento são loucuras que estão por vir e, quem sabe, se tornar em um grande amor futuramente.
Um olhar, um sorriso, um abraço. A paixão pode começar bem assim e se transformar em um sentimento mais profundo. Sentimento este que pode chegar a ponto de lhe mandar um poema de Camões, junto a lindas flores. Não que um poema de Camões seja ruim, me refiro àquela paixão avassaladora, e logo a apaixonada ou o apaixonado começa a ser um quase gênio na arte de fazer poemas apaixonantes. O detalhe é que a cada semana tem um poema diferente - creio que seja apenas nos primeiros meses e, posteriormente, os poemas serão deixados de lado - e o que ocorre seria mais ou menos um "tum" no coração disparado e suspiros... E mais suspiros.
A saudade a cada dia vem com mais força, os beijos são demorados, tão demorados que vêm acompanhados de algo mais. O filme Romeu e Julieta retrata a cena mais viva de um grande amor, e é esse amor que aqueles apaixonados passam a ter no momento de pura emoção e bem-estar. O sonho de um dia estarem juntos não é mera ilusão, pelo contrário, é alimentado por grandes fantasias e desejos escondidos que poderão se tornar desejos virtuosos, e não um mito na vida dos apaixonados.
A paixão também é misteriosa. Escondemos dentro de nós uma forma de pensar distinta, a personalidade marcante, o chamado EU e uma singularidade inerente na vida das pessoas. O somente EU pode dificultar em um relacionamento, pois muitas pessoas não se importam com o TU e passam a viver com individualidade e acabam perdendo sua paixão por bobeira. A decepção também faz parte da paixão, está por vir a qualquer dia e a qualquer hora. Ninguém está livre dela, seja por infidelidade ou outra coisa, e logo o apaixonado ou a apaixonada começa a detectar os principais defeitos do parceiro e sempre tenta dar um jeitinho aqui, outro ali e assim por diante.
Nos tempos passados, não existia a palavra ficar, no sentido de estar com um uma pessoa e beijá-la apenas uma vez e, quem sabe, nunca mais a vir. No entanto, hoje os conceitos estão mais mudados. Muitos jovens ficam, se apaixonam e, às vezes por ironia do destino ou por impulso, acabam namorando aquela pessoa da qual nunca imaginava.
Se a paixão causa tantos efeitos colaterais, por que mesmo assim insistimos nela? Sabe lá por que, só sabemos que, apesar das brigas e dos ciúmes, vale a pena conquistar aos poucos o seu espaço e o espaço do outro porque sempre existirá um para fazer da paixão o objeto de ternura e satisfação. E todos os dias, com tudo o que há de melhor dentro de cada um de nós, não acabará cedo, e muito menos irá se transformar em nada se vier acabar, porque carregamos um sentimento forte seguido da história que nunca morre e que está viva nos corações apaixonados. O resto só Freud poderia explicar, ao pé da letra, como funciona essa síndrome, porque somos eternos apaixonados pelas teorias e práticas da paixão que estão por advir e por vir.
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