Rejeitar o diferente é cultural

 

A ditadura do "ser" vem desde a escola, onde somos preparados para não termos voz, para sermos mais um, e, portanto, previsíveis, e controláveis, e manipuláveis... enfim, perfeitos para a manutenção de uma estrutura suspeita de poder que sustenta a sociedade vigente. Vestimos uniformes, temos horários rigorosos e metas a atingir. Não é respeitado aquele que tem um ritmo diferente, não é incentivado aquele que tem uma resposta alternativa àquela que está nos livros. Muito pelo contrário, estes são, inclusive, punidos. E a punição da escola, que vai da visita recorrente ao S.O.E. (Serviço de "Orientação" ao Estudante) à nota vermelha, a recuperação, a repetição, reflete diretamente na punição dos próprios colegas com a discriminação. E é daí que vem a tão famosa necessidade do adolescente de se sentir pertencente a um grupo qualquer: ele aprende que só assim, sendo igual, ele será aceito. Está em fase de formação, e, portanto, não possui maturidade o suficiente para ter a coragem de se sustentar só. Que paradoxo! No momento em que a personalidade começa a ser construída, ela não é assim tão pessoal, depende de outros. Cuidado... momento de vulnerabilidade total!


Última a beijar na boca, a ficar menstruada, a fazer amor, a se formar, faria de mim alguém retardatário? Preferir brincar a paquerar, gato a cachorro, esporte a dança, viagem a festa de debutante, prata a ouro, guaraná Antártica a Coca-Cola, músico a malhado, matemática a história, faria de mim alguém anti-social? Não fez... Ando no ritmo e na vida que EU quero, considero-me anos-luz à frente de alguns que estão em dia com as suas obrigações sociais convencionais, e, popular o suficiente para transitar despreocupadamente entre os mais variados mundos acessíveis à minha realidade. Seja quem, ou o que for que a gente seja, devemos sê-lo por opção, e não por imposição de quem, ou do que for que seja. Sendo previsível ou alternativo, não importa. Só assim a felicidade se torna uma possibilidade real. Não adianta fingir ser alguém, não adianta forjar uma situação. Tal infidelidade vai te castigar da pior maneira: internamente.

 

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